TÍTULO
DO PROJETO
Tribos
Urbanas: um olhar antropológico sobre a diversidade cultural.
Relato de Experiência
RESUMO
O
referido projeto tem por objetivo a formação crítica cidadã e o desenvolvimento
da autonomia dos educandos através de um olhar Antropológico sobre as
diversidades culturais. Dentro deste contexto os estudantes são instigados a
compreender e ler o mundo em que vivem, a saberem principalmente fazer
comparações, tornando o que é exótico familiar e vice-versa. Desta maneira os
alunos aprendem a conviver com as diferenças as quais estão inseridos, dentro
do contexto escolar e fora dele, respeitando as mais variadas tribos urbanas,
suas crenças, religiosidades, orientações sexuais, e, etc. Como ferramenta de
trabalho fizemos uso das Novas Tecnologias, Movie Maker, Power Point, Facebook,
Internet Explorer, Google, Youtube.
Palavras-chave:
Diversidade Cultural, Antropologia, Tribos Urbanas, Novas Tecnologias.
RESUMÉ
This project aims
at training citizen criticism and the
development of learner autonomy through an Anthropological
look at cultural diversity. Within this context, students are urged to read and
understand the world in which they live, to know
primarily making comparisons,
making the familiar exotic and vice versa. In this
way students learn to live with
differences which are inserted
within the school context and beyond, respecting the various urban tribes, their
beliefs, religiosity, sexual
orientations, and etc. As a tool made use
of New Technologies, Movie Maker, Power Point,
Facebook, Internet Explorer, Google, Youtube.
Keywords: Cultural Diversity, Anthropology, Urban Tribes, New Technologies.
I. SÍNTESE DA
EXPERIÊNCIA:
No início do ano letivo 2013 nos
deparamos com dificuldades no que diz respeito a convivência dos alunos para
com a multiplicidade de diversidades culturais dentro do espaço escolar, após
rodas de conversas com os educandos a respeito do tema sondagem percebemos que
era algo que transpunha os muros da escola, ou seja, fazia parte do cotidiano
das famílias. Haviam preconceitos com relação as diversas crenças, costumes,
valores, músicas, religiosidades, cor, gêneros, e, orientações sexuais.
Encontramos certo
grau de índice de evasão escolar justamente pelo fato de alguns estudantes
serem vítimas de preconceito, e, portanto optarem por abandonar os estudos. Partimos do
pressuposto inicial de que um ambiente de respeito as diversidades culturais
humanas geraria mais interesse dos alunos em permanecer estudando, diminuindo
assim os índice de evasão. Nosso
desafio então era buscar alternativas que levassem os educandos a refletirem
sobre o respeito às mais variadas tribos urbanas e suas diversidades culturais,
para tal fizemos uso da Antropologia, seus métodos, teorias e práticas e a
ferramenta principal de apoio para as atividades propostas aos educandos foram
as Novas Tecnologias: Movie Maker, Power Point,
Facebook, Internet Explorer, Google, Youtube.
Ademais, o Tribos
Urbanas: um olhar antropológico sobre a diversidade cultural, é um Projeto da disciplina Sociologia
no ensino médio da Escola Estadual Winston Churchill, que envolve interdisciplinarmente
as matérias, Artes, Geografia, e, Língua Portuguesa. Na primeira etapa contou
com a participação de 240 estudantes do turno matutino, sobe a coordenação do
professor Bruno Lima. Na segunda etapa envolveu as famílias dos educandos, pois
desejávamos que o projeto tivesse alcance não apenas dentro do espaço escolar,
mas, também fora dele, alcançando a comunidade como um todo.
II. JUSTIFICATIVA:
Justificamos o referido
projeto no fato do mesmo permitir ao aluno o desenvolvimento na autonomia no que
diz respeito a saber refletir cientificamente sobre as diversas culturas as
quais está inserido, além de possibilitar uma convivência coletiva entre os
educandos em busca do respeito às diversidades, o que resultou na permanência
dos estudantes na escola, haja vista que diminuiu os casos de preconceito com
relação a identidades de gêneros, sexualidades,
orientações sexuais, cor, crenças, religiosidades. Além disso o projeto
oportunizou a jovens em situação de vulnerabilidade social o acesso as novas
tecnologias no sentido de orienta-los como utilizar adequadamente esta
ferramenta.
III. OBJETIVOS
EDUCACIONAIS:
O
referido projeto tem como objetivo geral desenvolver nos educandos uma reflexão
crítica a respeito das diversidades culturais a partir dos métodos, práticas e
teorias da ciência antropológica e da utilização das Novas Tecnologias como
ferramenta do processo de ensino-aprendizagem.
Os
objetivos específicos são: Combater a evasão escolar gerada pelo preconceito
por raça, cor, orientação sexual, classe social, crenças, identidades de
gêneros, e, religiosidades; Desenvolver a consciência crítica e cidadã do
aluno, bem como sua autonomia no que diz respeito a compreensão e visão de
mundo; Estimular atitudes solidárias por intermédio da participação social.
IV. CONTEXTUALIZAÇÃO
DA EXPERIÊNCIA:
A Escola Estadual Winston
Churchill está localizada na zona leste de Natal, Estado do Rio Grande do
Norte, no Centro da Cidade, e, atende a estudantes que moram em todas as
regiões da Cidade do Natal/RN. Geralmente alunos de baixa renda que se
encontram em situação de vulnerabilidade social.
A
referida instituição de ensino é uma entidade de direito civil público, de
caráter pedagógico. É administrada pela Secretária de Estado da Educação e da
Cultura. Atende a 800 alunos do ensino médio, distribuídos nos turnos matutino,
e, vespertino. Quanto ao espaço físico é constituída por 20 salas de aula, 1
sala dos professores, 1 sala de direção, 1 secretária, 1 cozinha, 1 refeitório,
4 banheiros, 1 laboratório de informática, 1 biblioteca, 1 sala de vídeo, 1
quadra poliesportiva, e, um amplo pátio.
V. METODOLOGIA:
Optamos
por utilizar como metodologia o construtivismo, haja vista que através do mesmo
é possível pensar o desenvolvimento intelectual e cognitivo a partir de ações
mútuas, onde o indivíduo pode interagir coletivamente. As principais
ferramentas de interação utilizadas no projeto foram: a elaboração de Diários
de Campo antropológicos, os mesmos serviram como mecanismos metodológicos pelos
quais aplicamos os princípios do construtivismo, bem como dos métodos, teorias
e práticas da ciência antropológica; O uso das Novas Tecnologias como suporte
ao processo de ensino-aprendizagem.
Na
segunda etapa do projeto contamos com a participação efetiva dos pais em
conjunto com os estudantes, neste caso, como método de trabalho fizemos uso do
Grupo Focal (GF), de acordo com o que foi delineado por Morgan (1997), e, que
que se encaixa perfeitamente em nossa proposta de desenvolver o projeto de
forma qualitativa, dinâmica, através da interação grupal, e, da consideração das
experiências e visões de mundo dos participantes em relação ao tema proposto, a
diversidade cultural. A principal técnica utilizada foi o debate em grupo,
organizados em sessões, com a presença do professor orientador que teve a
tarefa de coordenar e articular as atividades.
VI. MARCO TEÓRICO:
Percebemos
que é preciso considerar os conhecimentos, habilidades e experiências que os
educandos trazem em seus históricos de vida e a realidade social a qual estão
inseridos. Não podemos basear o processo de ensino-aprendizagem apenas em aulas
expositivas, já que entendemos que a aprendizagem não é um processo passivo,
portanto, é preciso buscar meios de despertar o interesse dos estudantes e dar
a eles um papel mais ativo.
“(...) o conhecimento repousa em todos os
níveis sobre a interação entre o sujeito e os objetos, (...) mesmo quando o
conhecimento toma o sujeito como objeto, há construções de interações entre o
sujeito que conhece e o sujeito conhecido.” (PIAGET, 1967).
O construtivismo ao permitir a relação entre a estrutura e o
processo, ou seja, o sistema educacional perpassa diretamente pela pessoa do
estudante como protagonista fundamental do processo de ensino-aprendizagem,
sendo o professor um facilitador ou orientador imprescindível deste esquema, possibilita
que essa própria estrutura possa ser constantemente transformada e adequada às
reais necessidades e realidades sociais dos educandos.
Tomando como base a interação entre sujeito e objeto,
possibilitamos que as estruturas fossem construídas ao mesmo tempo pelos dois,
ou seja, pela relação estabelecida entre eles.
Neste contexto, a interação foi mediada pela ação do sujeito. “Conhecer
não consiste, com efeito, em copiar o real, mas em agir sobre ele e transformá-lo”,
(PIAGET, 1973).
Portanto, o construtivismo foi escolhido como a melhor opção
teórica para se desenvolver o referido projeto, haja vista, que tem como linha
de trabalho a interação do aluno, sujeito, com o meio socioeducacional, a fim
de transformar o objeto, que aqui entendemos como sendo, as realidades sociais
as quais nossos educandos estão inseridos, o que inclui a utilização consciente
dos ambientes virtuais, e, suas redes sociais.
O
diário de campo antropológico é uma metodologia científica onde o pesquisador
descreve suas experiências com detalhes, assim como idealizou o antropólogo
MALINOWSKI, (1980 e 1997). Portanto, a partir das observações sistematizadas,
e, descritas de forma densa foi possível refletirmos sobre o respeito as
diversidades culturais, o preconceito, e, a busca pela aceitação das
diferenças, possibilitando ao final avaliarmos as facilidades e as dificuldades
com as quais nos deparamos no decorrer do processo, o que nos permitiu projetar
novos desafios e alcançarmos melhor desempenho e êxito em relação ao desenvolvimento
da plena cidadania dos educandos.
Em relação à utilização dos Diários de Campo como instrumento de
ensino-aprendizagem e crítica social, percebemos ser esta uma proposta pedagógica e
metodológica viável e eficaz, haja vista que o diário de campo constitui-se em
um instrumento que tem como objetivo possibilitar a sistematização das
observações e dos dados coletados durante as pesquisas realizadas pelos alunos
sobre as tribos urbanas. Esse instrumento tem a finalidade de estimular o
desenvolvimento da habilidade de redação e a construção do pensamento crítico
dos educandos, a partir da descrição de cenas vivenciadas pelos alunos nas
atividades práticas propostas.
No que diz respeito
ao uso das Novas Tecnologias, partimos da perspectiva de que através do mundo
virtual, suas redes sociais e espaços, a cibercultura que é dinâmica, passa
diariamente por um poderoso processo de mudança, sendo construída e
reconstruída pelo homem. Isso se da porque existe uma maior interatividade
entre as várias comunidades mundiais, que se comunicam, compartilham suas
histórias e modos de vida através da Internet, no fenômeno chamado de
globalização, que tem como ponto central a integração das sociedades,
acompanhando uma intensa revolução nas tecnologias de informação - telefones,
computadores e televisão. As fontes de informação também se uniformizam devido
ao alcance mundial e à crescente popularização dos canais de televisão por
assinatura e da Internet. Isso faz com que os desdobramentos da globalização
ultrapassem os limites da economia e comecem a provocar uma certa
homogeneização cultural entre os países. Assim, Globalização, ou mundialização,
aparece como sendo o crescimento da interdependência de todos os povos e países
da superfície terrestre, portanto, está associada a uma aceleração do tempo.
Tudo muda mais rapidamente hoje em dia e os deslocamentos também se tornaram
muito rápidos. O espaço mundial ficou mais integrado, é um grande desafio fazer
com que os alunos utilizem as novas tecnologias tendo consciência desse fato.
Portanto, pensamos ser preciso que os educandos tenham acesso a essa
multiplicidades de novas tecnologias na escola, sobre a orientação do
professor, que guiará os alunos a utilização consciente desses espaço virtuais,
sempre na busca de uma sociabilidade virtual que respeite as diferenças
culturais, sejam elas por identidade de gênero, cor, orientação sexual e etc.
Ao estudarmos e nos
aprofundarmos nas teorias, práticas e metodologias da Antropologia, percebemos
ser esse um possível caminho a ser adotado para que pudéssemos resolver nosso
problema em questão, a evasão escolar gerada pela falta da solidariedade e
preconceitos dentro e fora do espaço escolar, incluindo aquelas percebidas no
mundo virtual e nas redes sociais. Por fim, é preciso frisar que as
metodologias Antropológicas em interação com as Novas Tecnologias como
ferramentas do processo de ensino aprendizagem na escola do ensino médio é uma
forma de inovação empreendedora que possibilita ao professor um melhor caminho
para a adequação do seu trabalho pedagógico.
VII. DESCRIÇÃO DA
EXPERIÊNCIA:
Neste tópico procuramos delinear as
ações que fizemos no Projeto através das aulas ministradas aos educandos, bem
como trazemos os conteúdos trabalhados.
Aula 1 – Tornando o exótico familiar e
vice-versa:
O que é tornar o exótico o
familiar e vice-versa?
Esse
processo se dará através do tempo de estudo comparativo que dedicaremos a
compreender as tribos urbanas, por um lado, pretendemos conseguir relativizar
seus costumes, crenças, valores, e, por outro, perceber a coerência da cultura
do Outro. Em palavras de Roberto Da Matta, “o tempo possibilita que o
antropólogo torne exótico (distante, estranho) o que é familiar e familiar
(conhecido, próximo) o que é exótico”, (Da Matta, 1981, pg. 144).
Nesse
contexto, veremos que compreender as tribos urbanas, Homossexuais, Religiosos,
Punks, Otakus, Funkeiros, Nerds, e, quaisquer outra tribo, povos e as suas
diversidades culturais, servirá para que possamos compreender a nós mesmos.
1) Para início de conversa solicitamos
aos alunos que lessem os textos de apoio intitulados:
·
Cultura e Cotidiano.
·
Ritos Corporais entre os Nacirema – MINER, (1973).
Dando continuidade à aula fizemos uma roda de debates com os
alunos e pedimos que descrevessem as semelhanças e diferenças encontradas no
texto entre “Os Naciremas” e a cultura brasileira ocidental, por exemplo, “Os
Naciremas” costumam procurar os sacerdotes da boca para tratarem os seus
dentes, semelhantemente os brasileiros frequentam o dentista, aqueles habitam
em grande maioria em casas de madeiras enquanto que estes dependendo da região
brasileira em que vivem moram em habitações construídas com tijolos. Também
foram indicados pelos alunos em conjunto com o professor orientador outros
temas a serem debatidos a partir do texto, as práticas ritualísticas,
sadomasoquistas, o culto ao corpo e etc. A partir deste ponto perguntamos aos
educandos quem são Os Nacirema (Os Americanos ao contrário) e trabalhamos o
princípio do Estranhamento, evidenciado no primeiro texto sobre Cultura e
Cotidiano.
O princípio de investigação foi utilizado
desde os antigos filósofos gregos, conhecido como “taumatos”, significa
espanto, maravilhamento, admiração. É com esse olhar que devemos comparar, ler
e estudar as culturas humanas presentes em nosso planeta. O mesmo será
fundamental na construção do respeito às diferenças e diversidades presentes
entre as sociedades.
Reafirmamos aos alunos que o
exercício do estranhamento nós leva a entender o quanto aquilo que parece
estranho, exótico, na verdade nos é familiar, e, o quanto aquilo que parece
familiar, pode ser considerado exótico, desde que observemos os fenômenos, as
sociedades, as tribos urbanas e suas culturas, com esse olhar comparativo.
2)
Pedimos aos alunos que produzissem um vídeo de 1 min, utilizando o Movie Maker,
a respeito do que eles entenderam sobre Os Nacirema. Eles poderiam representar
trechos do texto de Os Nacirema, e/ou, apresentar exemplos contextualizados de
sua própria cultura local, ritos, rituais, que lembrem os exemplos de Os
Nacirema ao mesmo tempo que remetesse as identidades culturais diversas das
tribos urbanas, (ver anexos).
Aula 2 – Aspectos sobre o conceito de
cultura e ensaio de observação antropológica:
1) Iniciamos a aula problematizando o
conceito de cultura como conjunto de regras, costumes e valores de um povo.
Sabemos que esse é um conceito amplo, é tema chave dos estudos antropológicos,
e, que mesmo que venhamos a trazer uma definição, está nunca será fechada ou
completa sobre tudo aquilo que de fato significa a cultura.
Discutimos com os alunos um conceito
moderno sobre o que é cultura. Segundo Roque Laraia (1986), para Clifford
Geertz, a cultura seria como um sistema simbólico que condiciona uma teia de
relações sociais que funcionam como uma espécie de programa de computador, onde
todos os homens estariam geneticamente aptos a receberem esse programa, que
serviria como mecanismos de controle, planos, receitas, regras e instruções.
Para a observação desse aspecto conceitual em específico descrito por Geertz,
debatemos com os alunos a respeito do filme Matrix, que demonstra justamente os
seres humanos sendo controlados por um programa de computador que condiciona a
vida dos indivíduos em sociedade.
2) Em seguida trabalhamos com os
estudantes o como fazer uma observação e descrição dos aspectos culturais de um
povo a partir das observações de Malinowski (1980). Posteriormente na proposta
interdisciplinar o aluno utilizou os conhecimentos adquiridos nesta etapa para
fazer uma análise da sua própria realidade local, a saber, sobre as tribos urbanas.
De acordo com Malinowski (1980), uma
observação antropológica deve ser feita através da descrição detalhada dos
aspectos culturais do povo ou grupo a ser estudado, a isto denominamos de
etnografia, nela o autor é o seu próprio cronista e historiador. É preciso que
não apenas se descreva os aspectos socioculturais, mas, deve-se decifrar o
sentido da vida tribal. O que é
desprezado ou tido preconceituosamente como primitivo por alguns, é na verdade
um “tesouro cientifico”, que tem em seu conteúdo, as peculiaridades,
independências mentais e culturais de um povo.
Solicitamos aos alunos que
pesquisassem a respeito das tribos urbanas, para tal os mesmos utilizaram o
Internet Explorer, através do Google, ou mesmo das redes sociais, como o
Facebook, puderam perceber aquelas tribos presentes no cotidiano de nossa
própria escola e até mesmo no espaço virtual, pedimos aos alunos que
formulassem um diário etnográfico, para anotações dos detalhes observados, com
o objetivo de aprender o ponto de vista do Outro, sua relação com a vida, e,
compreender sua visão de mundo, em um processo de familiarização e comparação
entre aspectos culturais observados e aqueles que os alunos vivem em sua
própria tribo urbana, em busca de encontrar semelhanças e diferenças.
Através do olhar de estranhamento,
observaremos que nas mais variadas tribos urbanas presentes na nossa escola,
existem códigos de comportamento e boas maneiras, é interessante que a extensão
da cultura tribal em todos os aspectos seja examinada na pesquisa. Por fim, os
estudantes foram estimulados a materializar nossa observação, através de
gráficos, tabelas, e, mapas. A importância e a razão de uma observação como
está, é que através dela podemos compreender a natureza humana, como relatou
Malinowski: “encontrar a luz”. Isso é enriquecedor para a formação critica
cidadã dos educandos, pois sabemos que estamos produzindo um acréscimo para
toda a sociedade, quando desvendamos ou “despreconceitualizamos” determinados
códigos culturais até então estigmatizados.
Aula 3 – Aula debate. Nessa aula
fizemos as seguintes ações:
I.
Formamos com os alunos e os pais um grande círculo de debates em
forma de Grupos Focais (MORGAN, 1997), pedimos para que os alunos
descrevessem todos os aspectos culturais observados nas mais diversas tribos
urbanas estudadas, a diversidade cultural que compreende as crenças, valores,
costumes, religiosidades, sexualidades, musicalidades, estética, orientações
sexuais, identidades de gênero, e, etc.
II.
Anotamos no quadro pequenos tópicos a respeito das observações
feitas pelos alunos e seus pais, na medida em que estes forem se pronunciando.
III.
Ao final desta aula apresentamos para todos os participantes o
esquema anotado no quadro com as falas dos alunos e de seus pais, fizemos
levantamentos e considerações finais sobre o respeito as diversidades e
dinâmicas culturais encontrada entre as tribos urbanas.
Aula 4 – Aula com as considerações
finais. Explicação da parte
interdisciplinar com as relações que foram construídas entre a Sociologia, a
Língua Portuguesa, e, a Geografia:
A proposta
interdisciplinar é de aproximar as questões debatidas à realidade dos alunos,
faze-los olhar para seu cotidiano (escola, bairro, cidade, etc.) com o olhar de
estranhamento desenvolvido em nossas aulas de Sociologia, a partir daí,
verificamos que é possível uma “regionalização” do espaço, das ideias, em busca
de uma maior aceitação das diversidades culturais presentes nas mais diversas
tribos urbanas.
Inicialmente conversamos
com os alunos sobre os diferentes grupos sociais que percebem em seu cotidiano,
as chamadas “tribos urbanas”: “patricinhas”, roqueiros, funkeiros, forrozeiros,
nerds, otakus, grafiteiros, skatistas e etc. Ressaltamos que a identificação
destes grupos depende da realidade de cada região ou localidade. Dividimos os
alunos em grupos e eles escolheram o grupo social que preferiam para fazer a
observação antropológica descrevendo tópicos como: vestimentas, acessórios,
músicas, atividades que realizam, espaços que frequentam, linguagens próprias,
etc. Neste momento os alunos finalizaram o diário etnográfico de campo com suas
observações. Ai está a relação prática com as Artes e a Língua Portuguesa, haja
vista que os estudantes foram instigados a escrever os diários de campo, e
puderam estilizar artisticamente o designer dos diários, e, assim desenvolveram
os gêneros literários, narração e descrição, bem como habilidades relacionadas
as artes plásticas.
A partir da identificação
dos locais frequentados pelas diferentes “tribos” solicitamos aos educandos que
elaborassem um mapa que podia ser expresso em diferentes escalas, de acordo com
a possibilidade de abrangência do trabalho do grupo: escola, bairro, cidade.
Neste ponto fizemos uso dos conhecimentos pertinentes a Geografia.
Foi pedido aos alunos que
utilizassem o Power Point para elaborarem suas apresentações a respeito das
tribos estudadas.
Por último realizamos uma
socialização dos trabalhos onde foram apresentadas as conclusões dos diários
etnográficos e os mapas, sendo também apresentados vídeos, fotografias,
objetos, etc. Esta socialização não foi apenas oral, mas, utilizamos também o
espaço virtual, Facebook e Youtube, como forma de publicidade dos materiais
construídos no projeto, vídeos, textos, diários de campo e etc.
Nas considerações finais
procuramos resgatar com os alunos o objetivo do trabalho questionado se eles
perceberam a necessidade de respeito à diversidade. Questionamos: Existe uma
escola? Existe um bairro? É possível a integração do espaço destas diferentes
“tribos”? Quais os pontos de conflito e os de contato entre os diversos grupos
e os espaços que eles frequentam?
Para
auxiliar nossos alunos a compreenderem de uma forma simples como seria um
absurdo atitudes etnocêntricas que levam em consideração a sua própria
identidade cultural como superior as outras, no bairro, na cidade ou mesmo na
escola, conduzimos em sala de aula algumas perguntas. Veja abaixo
algumas questões trabalhadas:
1- Na sua escola, seu bairro ou sua cidade as
características socioeconômicas dos moradores são iguais? Todos possuem o mesmo
poder aquisitivo e perfil de consumo?
2-Todas as pessoas apresentam a mesma religião, cor
de pele, escolaridade, sexualidade, orientação sexual, identidade de gênero?
3-As manifestações culturais (músicas, danças,
artes plásticas, artes cênicas e outras) são todas iguais?
Tendo essas respostas construídas pelos
alunos logo ajudamos aos mesmos a compreenderem que não existem espaços
homogêneos e cada espaço carrega suas particularidades que os diferem
de qualquer outro. E que as populações que nestes habitam apresentam
necessidades e características diferentes, carregam elementos
culturais que as diferenciam e as tornam únicas.
VIII. AVALIAÇÃO DOS
RESULTADOS:
Optamos por utilizar a
avaliação contínua como método avaliativo, desta maneira, procuramos avaliar os
resultados constantemente durante todo o processo. Portanto, avaliamos qualitativamente o aluno
por inteiro ao verificar o desenvolvimento das suas habilidades e competências,
e, quais são suas dificuldades. A cada encontro trabalhamos com os problemas
encontrados, potencializando o resultado final.
Na
avaliação continua levamos em consideração os seguintes aspectos:
- As descrições feitas pelos alunos em seus cadernos a respeito da diversidade e identidade cultural das tribos urbanas;
- Os debates produzidos oralmente pelos educandos. Identificando se os alunos compreenderam os conteúdos e conceitos desenvolvidos e aprenderam a fazer uma leitura, análise comparativa e crítica de mundo, das diversas culturas e sociedades a partir do olhar do estranhamento, gerando o respeito mútuo para com as diversas tribos urbanas presentes no cotidiano escolar.
- A forma como os alunos utilizaram as Novas Tecnologias como suporte para as atividades propostas.
Percebemos
que os alunos desenvolveram maior senso crítico e visão de mundo, aprenderam a
respeitar as diferenças, compreendendo as diversidades culturais presentes nas
tribos urbanas, melhoraram na construção de textos narrativos, e,
dissertativos, conheceram o caminho da autonomia, do respeito ao próximo, da
igualdade, e, da cidadania.
Em
relação a avaliação da eficácia das ações promovidas pelo Projeto Tribos
Urbanas: um olhar antropológico sobre a diversidade cultural. Se deu através da
observação do livro de ocorrências, e, através de entrevistas feitas com alunos
das mais variadas tribos que convivem em nosso espaço escolar, e, pais
representantes das famílias que frequentam nossa escola. No que diz respeito
aos resultados obtidos após o projeto percebemos in loco: Diminuição dos casos de
evasão escolar outrora ocasionados por intermédio do preconceito por
orientações sexuais, sexualidades, identidades de gêneros, raça, cor, crenças,
e, religiosidades; Um ambiente de maior respeito as tribos urbanas e suas
diversidades culturais; Atenuação no livro de ocorrências de casos de conflitos
ocasionados por preconceitos; Maior aceitação dos familiares, pais, às
diferenças de seus filhos no que diz respeito as orientações sexuais e
identidades de gênero.
IX. ESPAÇOS E
MATERIAIS UTILIZADOS:
Realizamos
as ações do projeto nos diferentes ambientes da escola, a biblioteca e a sala
de informática serviram para as pesquisas bibliográficas, no pátio realizamos
as pesquisas de observação participante, as salas de aulas para as reuniões, e,
debates.
O materiais foram os seguintes: Cópias dos textos de apoio “Os
Nacirema” e Cultura e Cotidiano, na mesma quantidade de alunos da turma;
Cadernos e lápis para elaboração dos diários de campo; Câmera fotográfica ou
celular para gravação do vídeo e dos registros das observações dos alunos;
Cartolinas ou folhas de papel madeira para construção dos mapas; Cola e
tesoura; Piloto; Trena para medições dos espaços a serem cartografados.
Internet Explorer para pesquisas virtuais e socialização dos resultados.
Computadores com Move Maker e Power Point. Acesso à internet, para utilização
do Facebook e do Youtube e do Google.
X. CONSIDERAÇÕES
FINAIS:
A
comunidade escolar não pode permanecer omissa quando o assunto é preconceito. É
papel da mesma ser agente transformadora da sociedade. É preciso enfrentar as
situações de conflitos que produzem agressões, suicídios, assassinatos, evasão
escolar, bullying entre crianças,
adolescentes, jovens e adultos.
A escola, o professor e o
aluno, são agentes transformadores do meio social em que estão inseridos.
Portanto, acreditamos que esse projeto servirá, efetivamente, para que outras
escolas que estejam inseridas no contexto em que há casos de preconceito, e,
consequente evasão escolar, vulnerabilidade e risco, possam combater
eficazmente esses males sociais. No nosso caso especificamente estamos tendo
bons retornos, já perceptíveis dentro da escola, e, mesmo dentro das redes
sociais e comunidades em que fazem parte os membros de nossa comunidade
escolar, onde verificamos uma diminuição dos casos de conflitos por preconceito.
Através do nosso referido
Projeto, verificamos que a utilização do diário de campo e das Novas
Tecnologias como ferramentas do processo de ensino aprendizagem sobre o tema
diversidade cultural, é completamente exequível, e, estão à disposição dos
professores que pretendem melhorar as relações sociais dentro da escola, e, no
mundo virtual, diminuindo casos de evasão escolar por preconceito, e,
potencializando um ambiente de respeito mútuo, solidariedade e cidadania
crítica.
O aluno deve ter contato
direito com o conhecimento que pretende transformar e apreender, assim, poderá
permanecer estimulado durante o processo de ensino aprendizado, o que evitará a
evasão escolar. A utilização das Novas Tecnologias interligadas aos
conhecimentos Antropológicos mostrou-se eficaz para tal fim, já que, despertou
nos alunos interesse e motivação. Neste caso, os resultados positivos obtidos
só foram possíveis porque contamos com a participação efetiva dos alunos, pais,
comunidade escolar como um todo, intervindo constantemente no processo, como
prevê a metodologia construtivista.
Por fim, gostaríamos de
frisar a extrema importância deste projeto no que diz respeito à preparação dos
estudantes para a vida, a fim de atuarem como cidadãos críticos, saberem
enfrentar as adversidades, as situações de conflito e preconceito, serem
agentes transformadores da realidade social em que estão inseridos através de
atitudes solidárias, éticas e coletivas.
XI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da
República Federativa do Brasil. Art. 5º. Brasília, DF, Senado, 1998.
DA MATTA, Roberto. Relativizando.
Uma introdução à Antropologia Social. Petrópolis: Vozes, 1981.
LARAIA. Cultura: um conceito antropológico. Rio
de Janeiro: Zahar, 1986, pg.48,49.
MALINOWSKI,
Bronislaw. B. Objetivo, método e alcance desta pesquisa. In: _____. Desvendando
máscaras sociais. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1980.
______. Um
diário no sentido estrito do termo. Rio de Janeiro: Record,
1997. 336p.
MATRIZ DE REFERÊNCIA DO ENEM. Disponível em: http://www.ceps.ufpa.br/daves/PS%202014/matriz%20enem-2013.pdf Acesso em 12 de Outubro de 2013.
MEC. Orientações educacionais complementares
aos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino médio.
2002. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/CienciasHumanas.pdf Acesso em: 28. Abril de 2012.
MINER,
Horace. “Ritos Corporais entre os
Nacirema” – You and Others – readings. In: _____. Introductory Antropology. Winthrop
Publishers, Cambridge 1973, pp. 72-76 (Tradução: Selma Erlich). Disponível
em: https://docs.google.com/document/d/1t-fT0al-v9zDuzDz3LK1Ihck-AfMidog0XrkSISStw0/preview Acesso
em 12 de outubro de 2013.
MORGAN, D. Focus groups as qualitative research.
Newbury Park, CA: Sage. (1997).
PIAGET, Jean. Les
problèmes principaux de l’épistémologie des mathématiques. In: PIAGET Jean, dir. Logique et connaissance scientifique.
Paris: Gallimard, 1967.
PIAGET, J. Biologia
e Conhecimento. Petrópolis: Vozes, 1973.
Fotos das Atividades:
Vídeos Produzidos:
Sobre o vídeo produzido pelos alunos
intitulado Sanabru Sobirt, segue roteiro elaborado pelos estudantes:
Curta metragem de Sociologia – 1 min
Apresentação
O nome
do filme Sanabru Sobirt significa o
mesmo que tribos urbanas ao contrário. A escolha do nome se deu devido ao fato
de que o propósito do mesmo é demonstrar como é a experiência de tornar exótico
aquilo que é comum e vice-versa. O referido curta metragem é um produto final,
fruto do trabalho realizado pelos alunos, e, sugerido como atividade da
disciplina de Sociologia no ensino médio. A inspiração do roteiro veio a partir
da leitura do texto, Ritos Corporais entre os Nacirema, de Horace Miner (1973).
Objetivo
O filme
tem por objetivo demonstrar a reação, estranhamento, espanto, maravilhamento e
admiração, dos educandos frente ao estudo da diversidade cultural verificada
através da observação participante das diversas tribos urbanas (Rockeiros,
Regueiros, Funkeiros, Grafiteiros, Otakus e etc). O intuito é evidenciar como
nós educandos a partir da observação de determinados rituais do cotidiano
assimilamos os conceitos de socialização, adaptação, e, estranhamento.
Roteiro
O início
do filme deverá mostrar as tribos urbanas que existem na escola. Conta à história de um estudante que ao
observar as diversidades existentes entre as tribos, ver se perplexo,
espantado, admirado, inicialmente ele não se sente bem ao ver os grupos reunidos
e não está adaptado as novas descobertas, até que ao observar que os membros
das tribos possuem rituais cotidianos semelhantes aos seus, ele consegue se
adaptar e vencer o preconceito passando a conviver com as tribos antes
observadas.
1ª cena - observação das tribos urbanas:
Aparecem as diversas
tribos urbanas com seus diferentes estilos de se vestir. O estudante observa as
tribos.
2ª cena - entrando no banheiro – rituais,
estranhamento e socialização:
O estudante corre em
direção ao banheiro com o intuito de se esconder daquela realidade observada e
vivenciada pelas tribos urbanas. Ao entrar no banheiro vê um jovem
representante de uma das tribos urbanas praticando rituais comuns de seu
cotidiano, limpar as mãos, escovar os dentes, fazer a barba, passar o fio
dental. Quando o estudante observa aquilo descobre que os jovens das tribos
urbanas praticam rituais semelhantes aos seus, se sente confuso e desmaia. Em
seguida é ajudado pelo jovem da tribo urbana, que o levanta e o mostra que
apesar de terem diferenças há também semelhanças, e incentiva o estudante a
lavar as mãos, significando que o aluno está se socializando e aprendendo os
rituais do cotidiano.
3ª cena - adaptação – o estudante passa a
conviver com as tribos urbanas:
Para finalizar
mostrar o estudante adaptado e convivendo com as tribos urbanas, compreendendo
as diferenças, e, respeitando-as.
Sanabru Sobirt - https://www.youtube.com/watch?v=vIewOVTzSNU
Vídeo Projeto Tribos Urbanas/Melhores Momentos - https://www.youtube.com/watch?v=Y05voXmp8xo
Diários de Campo produzidos pelos alunos:
Textos de Apoio:
Cultura e Cotidiano:
Os Nacirema:
Trecho de Ritos Corporais
entre os Nacirema
...”Além do ritual bucal privado,
as pessoas procuram o mencionado sacerdote-da-boca uma ou duas vezes ao ano.
Estes profissionais têm uma impressionante coleção de instrumentos consistindo
de brocas, furadores, sondas e agulhões. O uso destes objetos no exorcismo dos
demônios bucais envolve para o cliente, uma tortura ritual quase inacreditável.
O sacerdote-da-boca abre a boca do cliente e, usando os instrumentos acima
citados, alarga todas as cavidades que a degeneração possa ter produzido nos
dentes. Nestas cavidades naturais nos dentes, grandes seções de um ou mais
dentes são extirpados para que a substância sobrenatural possa ser aplicada. Do
ponto de vista do cliente, o propósito destas aplicações é tolher a degeneração
e atrair amigos. O caráter extremamente sagrado e tradicional do rito
evidencia-se pelo fato de os nativos voltarem ao sacerdote-da-boca ano após
ano, são obstante o fato de seus dentes continuarem a degenerar.
Esperamos que quando for
realizado um estudo completo dos Nacirema, haja um inquérito cuidadoso sobre a
estrutura de personalidade destas pessoas. Basta observar o fulgor nos olhos de
um sacerdote-da-boca, quando ele enfia um furador num nervo exposto, para se
suspeitar que este rito envolve uma certa dose de sadismo. Se isto puder ser
comprovado, teremos um modelo muito interessante, pois a maioria da população
demonstra tendências masoquistas bem definidas. Foi a estas tendências que o
Prof. Linton se referiu na discussão de uma parte específica do rito corporal
que é desempenhada apenas por homens. Esta parte do rito envolve raspar e
lacerar a superfície da face com um instrumento afiado. Ritos especificamente
femininos têm lugar apenas quatro vezes durante cada mês lunar, mas o que lhes
falta em frequência é compensado em barbaridade. Como parte desta cerimônia, as
mulheres assam suas cabeças em pequenos fornos por cerca de uma hora. O aspecto
teoricamente interessante é que um povo que parece ser preponderantemente
masoquista tenha desenvolvido especialistas sádicos”...
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